sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

CUIDADO!


Não se fie na pessoa
Pelo discurso somente
Além do dito eloqüente
Veja como se comporta
Tem gente de vida torta
Que solta mel pela boca
Fala bonito e invoca
Provérbios e citações
Mas no frigir das razões
O engenho vira engenhoca

Sua lábia é como minhoca
No anzol que nos oferece
Nunca é o que parece
Parecer é vestimenta
Daquele que só argumenta
Para esconder sua ignorância
Fingindo ter abundância
Onde há carecimento
Reforçando o argumento
Com disfarçada arrogância

Vivendo nessa alternância
De tamanha variedade
Vai insuflando a vaidade
Posando de requintado
Pensando que é magistrado
Anda emitindo sentenças
No julgamento de avenças
Sobre coisas não sabidas
Muito menos entendidas
No exame das diferenças

Cucuricando suas crenças
Opina a torto e a direito
Teórico satisfeito
Simula mas não reflete
Na cópia apenas repete
Da  imitação se alimenta
Quando a ocasião se apresenta
Para que a prática adote
O galo vira frangote
Logo da rinha se ausenta.

Na pose sempre se assenta
Do conteúdo se afasta
A verdade lhe desgasta
Ter que pensar lhe atormenta
Vive na zona cinzenta
Não é branco nem é preto
Aceita qualquer decreto
Sem entender a intenção
E se perde na abstração
Quando o assunto é concreto

Ao se passar por discreto
Guardião do bom-mocismo
Pratica o pior cinismo
Achando que está correto
Quem nunca fala direto
E não se opõe à inverdade
Acobertando a maldade
Para não contrariar
Preferindo concordar
Com qualquer barbaridade

Por isso ter amizade
Com quem tem essa postura
É coisa de pouca altura
Para quem preza a verdade
A tal da fraternidade
Não se constrói na ilusão
E não lhes peço perdão
Porque o perdão é divino
Do hipócrita e do ladino
Prefiro a condenação.

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