sábado, 25 de maio de 2013

DÉCIMAS DE UM ABORTADO


Não me perguntes que sou
Em tua inconsciência não cabe
E se o que é ser já não sabe
Aquela que me abortou
Sei o que justificou
Tamanha barbaridade
Foi tua viciada vontade
Que despoja o Ser do centro
E vai roendo por dentro
Tua débil humanidade.

Sei. . . Mil motivos me dão. . .
O mote é materialista
E até mesmo o ocultista
Arrisca em sua visão
Que é minha morte ocasião
Para no ventre expiar
O que deixei de pagar
Em uma vida passada
E assim é justificada
Tanta miséria e penar.

Não tive direito algum
Fui somente expectativa
Contra mim tua comitiva
Já tinha pronta a sentença
Proibiram minha nascença
Era apenas nascituro
Uma coisa sem futuro
Pedaço de carne humana
Que tua ciência soberana
Jurou estar imaturo.

Sei. . . O corpo é da mulher. . .
Mentira! É da feminista
Do animalesco hedonista
E daquele que acolher
Como forma de viver
A falsa e global doutrina
Que com seu fel contamina
A existência na Terra
E mata mais do que a guerra
Com sua ação assassina.

Cuidaste bem de tua planta
Afinal também tem vida
És para o bicho guarida
E a natureza te encanta
Ofereces tua garganta
Bradando por proteção
Na vil manifestação
Politicamente certa
Marchando de “mente aberta”
E de consciência fechada
Sobre mim não dizes nada 
Pois nada em mim te desperta.

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